Associação
Nacional dos Usuários do Transporte de Carga
INFORMATIVO anut
Ano
6 Nº 01 31/01/2008
Atividades
de Janeiro 2008
ABERTURA
DOS PORTOS BRASILEIROS – 200 ANOS DE HISTÓRIA
;Em auditório
repleto com mais de 400 pessoas, ANUT e FECOMÉRCIO-SP comemoraram
a data de 28 de janeiro de 2008, em que o Príncipe Dom João
decretou a abertura dos portos brasileiros ao comércio internacional.
O evento constou de sessão solene em que foram feitos importantes
pronunciamentos pelas autoridades e personalidades presentes; entrega
dos prêmios do concurso de monografias promovido em âmbito
nacional, versando sobre temas históricos e técnicos
relacionados ao desenvolvimento dos portos brasileiros; divulgação
do resultado da enquête pública sobre o grau de satisfação
dos usuários dos portos organizados realizada pela Editora
Aduaneiras em parceria com a ANUT; abertura da exposição
histórica sobre os nossos portos e sobre o Corpo de Fuzileiros
Navais da Marinha do Brasil que também está comemorando
os 200 anos de criação; seguindo cocktail de congraçamento
e lançamento de livro histórico sobre a abertura dos
portos.
Durante o evento, ANUT e Editora ADUANEIRAS firmaram Protocolo de
Entendimento objetivando possibilitar a divulgação
de pesquisa anual sobre a situação dos portos públicos
brasileiros, através da avaliação do grau de
satisfação dos seus usuários.
Objetivando acoplar a enquête a um esforço concreto
do setor público de modernização da gestão
portuária, de acordo com o Protocolo, caberá a ANUT
promover gestões junto à Secretaria Especial de Portos
da Presidência da República para o estabelecimento dos
paradigmas de gestão cuja implantação será
também avaliada a cada ano, dentro dos seguintes segmentos
relacionados ao processo de modernização da administração
portuária: despacho de navios, cargas, tripulantes e passageiros
através de sistemas integrados de informações
eletrônicas; prevenção e repressão do
terrorismo, contravenção e criminalidade; sustentabilidade
ambiental; avaliação de preços e desempenho
na prestação do serviço portuário; segurança
e saúde no trabalho; harmonização das atividades
dos agentes de autoridade; e administração do fornecimento
de mão-de-obra portuária.
O
GRAU DE SATISFAÇÃO DOS USUÁRIOS DOS PORTOS BRASILEIROS
A enquête realizada pela Editora Aduaneiras, consultando
os seus 14.000 correspondentes ligados ao comércio exterior,
resultou em 442 entrevistas consideradas válidas, sendo que
71% dos entrevistados concentrou suas atenções no porto
de Santos, incontestavelmente o porto importador/exportador mais
importante em nosso País. Rio Grande e Rio de Janeiro dividiram
igualmente as atenções de 10% das entrevistas e nenhum
dos demais portos foi objeto de mais de 2% de entrevistas.
A enquête confirmou a expectativa cristalizada há muitos
anos de que o grau satisfação dos usuários dos
nossos portos é inaceitável. O computo geral das opiniões
externadas nas 442 entrevistas consideradas válidas, independentemente
do porto avaliado, mostrou os seguintes percentuais de avaliação
Regular-Ruim, por bloco da entrevista: Administração
- 76%; Relacionamento com o Pùblico – 76%; Operações
– 62%; Segurança -51%.
Para o porto de Santos, que foi tratado em 71% das entrevistas
consideradas válidas, os índices obtidos (de regular-ruim)
foram ainda mais fracos: Administração – 75%; Relacionamento
com o Público – 82%; Operação (70%); Segurança
(65%).
O Ministro Secretário Especial de Portos externou publicamente
em mais de uma ocasião que esse resultado, de certa forma
adverso, foi tomado pela sua Secretaria como um incentivo aos esforços
que estão em desenvolvimento para o saneamento e modernização
da administração portuária brasileira, o que
o leva à convicção de que a perenização
da iniciativa da ANUT, tornando a enquête anual, foi uma decisão
da mais elevada importância para o País.
O
FRETE FERROVIÁRIO ESTÁ CARO, DIZ O GOVERNO.
O Governo, revelando sua preocupação com o custo
do frete ferroviário, anunciou que pretende acelerar os estudos
para a ampliação da malha existente através
da concessão de mais 4.100 km de trilhos em bitola larga.
A preocupação é válida, mas não
deve ser única e nem a mais urgente, a começar porque
o efeito dessa medida sobre os fretes, verdadeiramente elevados,
levará uma boa meia dúzia da anos para se fazer sentir.
No mesmo nível de importância e urgência da expansão
da malha sugerimos aproveitar o ensejo para considerar a alternativa
de entregar a via permanente a um concessionário e o serviço
de transporte ser livre, para qualquer empresa de logística
e/ou de transporte, com seu próprio material rodante, pagando
a utilização da via à concessionária
da via permanente. Surgirá, assim, a figura do operador ferroviário
independente, sem o que, a tendência será aumentar o
nível de concentração econômica atual
e o abuso de poder econômico.
Mais urgente, contudo, é a erradicação dos estrangulamentos
físicos preexistentes à privatização
(passagens em nível, invasões de faixas de domínio
e travessias de centro urbanos) obrigação inescapável
do poder público, que o Governo teima em não reconhecer,
e que não precisaria de muito mais do que cerca de R$ 2,5
bilhões de reais para quase dobrar a ridícula velocidade
média dos nossos trens, o que naturalmente incidirá
sobre o frete.
E mais urgente ainda para a redução do frete ferroviário
é a necessidade de coibir o abuso de poder no exercício
de monopólio natural, através de uma profunda e radical
revisão das normas regulatórias da ANTT, hoje tímidas
e pouco claras, de modo a compatibilizá-las com o vigor e
clareza do arcabouço jurídico (inclusive a Constituição
Federal) que rege as concessões de serviços públicos,
emprestando especial ênfase na repressão ao abuso de
poder econômico que vise à dominação de
mercado, à eliminação da concorrência
e ao aumento arbitrários dos lucros, bem como na vigilância
dos direitos dos usuários, da política tarifaria e
da obrigação de manter alta qualidade no serviço.
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