Associação
Nacional dos Usuários do Transporte de Carga
INFORMATIVO anut
Ano
6 Nº 02 29/02/2008
Atividades
de Fevereiro 2008
HIDROVIA
TIETÊ-PARANÁ NO LIMITE DO DESCRÉDITO
Em 2006, por ocasião de mais uma crise na navegação
no reservatório de Itaipu, a ANUT fez ver às autoridades
as conseqüências da ação fragmentada dos
órgãos públicos interessados no uso múltiplo
dos rios e da atuação independente e isolada dos órgãos
do setor elétrico, notadamente do eixo ANA-ONS, o que levou
a ANTAQ, por sugestão nossa, a instalar um Grupo Técnico
de Assessoramento – GTA, envolvendo ANTAQ/MT/DNIT/MARINHA e convidados
do setor privado para discussão das questões relacionadas
à viabilização da navegação em
rios “barrados”, principalmente o estabelecimento dos níveis
mínimos para navegação e cotas de operação
das hidrelétricas, nas discussões conjuntas a serem
desenvolvidas com as entidades do setor elétrico.
Em 06/12/07 encaminhamos correspondência à Diretoria
da ANTAQ, dando conta dos graves prejuízos à navegação
nos reservatórios das UHE de Itaipu e Tucurui, porque os níveis
de operação daqueles reservatórios continuavam
sendo assumidos pelo ONS sem qualquer consulta ou pré-aviso
às demais entidades envolvidas no uso múltiplo das
hidrovias.
Chegamos a pedir, naquela ocasião, a ANTAQ, que levasse o
assunto, com urgência, ao conhecimento da Casa Civil , na esperança
de uma medida excepcional que impedisse a concretização
de prejuízo a uma associada que estava com comboio retido
no lado paraguaio do lago de Itaipu, por falta de água, tendo
a bordo 3.400 toneladas de trigo.
Decorridos cerca de dois meses, e estando num período de chuvas,
portanto favorável para a navegação, nada mudou:
o nível do lago em Itaipu continua abaixo do mínimo
para navegação no canal de Guaira; a nossa associada
já corre o risco de suspensão dos seus contratos, naturalmente
com pesadas perdas; e ainda pior, sem dispor de qualquer informação
sobre a programação da ONS para a UHE de Itaipu.
Estando, a nossa associada, a beira de cancelar ou de ter cancelados
os compromissos assumidos para transporte de trigo paraguaio pela
hidrovia Tietê-Paraná, fomos forçados a recorrer
diretamente à intervenção da Casa Civil para
evitar um revés tão profundo quanto o descrédito
da Hidrovia Tietê-Paraná, por absoluta falta de entendimento
entre as autoridades envolvidas no uso múltiplo e racional
das águas.
EXPANSÃO
DAS FERROVIÁS NECESSIDADE DE VISÃO GLOBAL E DE LONGO
PRAZO
Vieram a tona maiores detalhes sobre a anunciada aceleração
dos estudos para a concessão de 4.100 quilômetros de
trilhos em bitola larga que serviriam para, no início da próxima
década, “acirrar a concorrência” entre as atuais concessionárias
ferroviárias. Dizem ainda as notícias, que o primeiro
passo para isso será a edição de uma M.P. incluindo
os novos trechos no Plano Nacional de Viação, que se
encontra em discussão no Congresso, com base em proposta elaborada
pelo Ministério dos Transportes.
Temos enfatizado, com a veemência habitual, que o Governo não
dispõe de um plano de longo prazo, digamos 15 anos, considerando
com a devida profundidade o up-grade da via permanente concedida
e a expansão da malha existente para atender as expectativas
de crescimento da produção do agronegócio e
da indústria brasileiros. Nenhum país que precise e
deseje sobreviver e crescer no agressivo cenário das trocas
internacionais pode dispensar tal instrumento, que é bom não
esquecer, envolve duas ferramentas: investimento maciço e
diligente regulação.
A idéia dos 4.100 quilômetros não deixa de ter
seus méritos, inclusive o seu propósito de fazer surgir
uma concorrência inexistente no sistema ferroviário
brasileiro, mas duas coisas não podem ser esquecidas pelo
Governo.
A primeira é que a simples interligação física
da malha de bitola larga existente não fará surgir
nenhuma concorrência na prestação do serviço
ferroviário se não levarmos a cabo uma profunda reformulação
do quadro regulatório elaborado pela ANTT, que se apresenta
em absoluto descompasso com o vigor e alcance do arcabouço
jurídico pátrio, possibilitando um indesejável
quadro de abuso de poder de monopólio natural conforme denunciado
pela ANUT na representação que ingressou na SDE e que
se encontra na fase de instrução preliminar. O fato
é que a regulação da prestação
do serviço ferroviário no Brasil, pela ANTT, tem exercido,
pouco ou nenhuma influência na tarifa praticada, de um lado
porque, dadas as nossas condições geoeconômicas,
a competição da rodovia é, na maior parte dos
casos, espúria, e de outro lado porque o modelo de regulação
tarifária escolhido – plena liberdade tarifária, desde
que abaixo de uma tarifa-teto -, é por demais imperfeito.
A segunda coisa que não pode ser esquecida é que nem
o PAC, nem a expansão anunciada, de apenas 4100 quilômetros,
resolvem o problema ferroviário brasileiro. São apenas
paliativos, e se não tivermos cuidado passarão à
condição de simples remendos. O que precisamos é
de um plano de longo prazo.
Atualmente a malha ferroviária brasileira tem a extensão
de 29.596 Km para uma área territorial de 8,5 milhões
de Km². Se quisermos nos aproximar da densidade ferroviária
de países como Canadá ou Austrália que dispõem
de área territorial parecida com a nossa, teríamos
que construir algo como 13.000 Km (Austrália) ou 36.000 Km
(Canadá).
Já o Plano nacional de Logística de Transporte-PNLT
(a nova fronteira do planejamento de longo prazo do Governo) sugere
e detalha, para o período 2008/2023, obras de recuperação
e expansão da malha numa extensão de 20.256 Km, a um
montante de R$ 50,5 bilhões (o que significa USD 1,38 milhão
por Km de via).
Pela segunda vez num espaço de trinta dias, dedicamos nossa
atenção ao tema da expansão da malha ferroviária
brasileira, porque ele é crucial para a sobrevivência
e crescimento do agronegócio e da industria brasileiros no
contexto de uma economia mundial competitiva e cujo futuro a partir
de 2015 já revela elevada dose de incerteza.
Estamos informados de que esse projeto de interligação
da malha de bitola larga teve origem no segmento dos prestadores
de serviço, merecedores de todos os louvores pela idéia,
mas os usuários não podem ficar de fora da discussão
dele, e mais do que isso, devem alertar o governo para a necessidade
de um vôo de imaginação mais longínquo
e mais ousado, porque a nossa sobrevivência já está
a depender disso. Estamos partindo para a mobilização
das nossas associadas e de outras empresas e entidades que desejarem
debater o assunto.
O
presente INFORMATIVO é distribuído às Associadas
da ANUT, empresários e executivos de alto nível, e
entidades representativas de usuários e prestadores de serviços
de transporte, além da Casa Civil da Presidência da
República, Ministros de Estado, Governos Estaduais, Ministério
Público do Trabalho, Agências Reguladoras com interveniência
na matéria e à imprensa em geral.
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