Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga  
  

INFORMATIVO anut

  Ano 6 Nº 06 30/06/2008

Atividades de Junho 2008  

 

REVISITA À PROBLEMÁTICA LOGÍSTICA DO AGRONEGOCIO

 
Em 2004, a ANUT foi Relatora do trabalho “Transporte – Desafio ao Crescimento do Agronegócio Brasileiro”, do qual foram co-autoras a ABAG, ABIOVE, ABITRIGO, ANDA, ANEC, CECAFÉ e ÚNICA, trabalho esse que foi levado às mãos do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo então Ministro Roberto Rodrigues (MAPA) e acabou se transformando em obra de referência nas questões relacionadas à logística do agronegócio.
Agora, por solicitação do Ministério do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio Exterior (MDIC), no processo de implementação da Política de Desenvolvimento Produtivo, no âmbito do Fórum de Competitividade do Sistema Agroindustrial, foi a ANUT encarregada de elaborar uma atualização do trabalho, sob a ótica do Plano Nacional de Logística e Transporte (PNLT), abrindo espaço para a inclusão das cadeias produtivas dos energéticos, das frutas, da carne, da madeira, papel e celulose e dos insumos, além de estudo relativo a definição de processos e sistemas inovadores para robustecimento da competitividade logística do agronegócio brasileiro.
O projeto em apreço, de revisita à problemática logística do agronegócio brasileiro, culminará com a realização de uma Oficina Técnica, programada para o mês de outubro próximo, para exame das soluções e recomendações apresentadas no trabalho, e estruturação de estratégias e programas pertinentes, no horizonte até 2023.
A ANUT será também a instituição coordenadora do projeto, trabalhando articulada, através de convênios e contratos com universidades, instituições de pesquisa e desenvolvimento, empresas de consultoria, entidades representativas dos segmentos produtivos envolvidos, principalmente as co-autoras do trabalho anterior, organismos de financiamento e outras instituições atuantes no agronegócio, além de suas associadas empresas e confederações.
Da parte do governo estarão participando, além do MDIC, o MAPA, MCT, MDA, MT, BNDES, ANTAQ, ANTT, CONAB, EMBRAPA e outros.
 

CRÔNICA DE UMA MALOGRADA GREVE RODOVIÁRIA

 
Às 00:00 horas do dia 25, as lideranças sindicais dos transportadores autônomos rodoviários de carga anunciaram o início de uma greve de âmbito nacional cuja pauta de reivindicações era encabeçada pela necessidade de um reajustamento dos fretes para fazer face ao aumento nos custos do transporte decorrente da elevação de 15% no preço do óleo diesel nas refinarias, ocorrido em maio último.
Como temas complementares dessa pauta vinham, segundo noticiado pela imprensa, as más condições das rodovias, a falha no controle do peso das cargas, a insegurança ocasionada pelos assaltos e até a intenção da Prefeitura de São Paulo de a partir de julho, incluir os caminhões de carga no rodízio de placas naquela cidade.
Por motivos que ainda não são precisamente conhecidos, a greve fracassou em pouco mais de 24 horas: o nível de adesão dos caminhoneiros foi muito baixo e os efeitos da paralisação, quase imperceptíveis.
Neste momento, não é possível prever se e quando o movimento poderá ser reiniciado, mas não podem passar desapercebidos dois fatos que estão para ocorrer a partir de hoje.
O primeiro é a entrada em vigor das medidas de restrição ao tráfego de caminhões de carga na cidade de São Paulo, que pode servir de alento aos partidários da greve caso possam alegar prejuízos insuportáveis aos transportadores autônomos. Na verdade, se as medidas intencionadas pela Prefeitura de São Paulo resultarem em aumento do custo do transporte rodoviário, o que devemos fazer é rediscutir essas medidas e não, simplesmente aceitar aumento de frete imposto por meio de greve.
E o segundo fato é a entrada em vigor do aumento de dois para três por cento na percentagem da mistura de biodiesel ao óleo diesel, que veio à baila em meio à malograda tentativa de greve, trazendo especulações maldosas sobre “um novo aumento do custo do óleo diesel”.
A este respeito é de todo oportuno o conselho de que não devemos aceitar que essas especulações sejam ser jogadas no quadro dos aumentos do preço do óleo diesel como um fator cumulativo, que sirva para justificar qualquer reivindicação de reajustamento de fretes, quer nas rodovias, quer nas ferrovias.
Primeiro, porque à vista do valor do biodiesel em relação ao diesel, a alteração do custo que resultaria de uma variação de 1% na mistura seria inexpressiva, principalmente se comparada à otimização do desempenho dos motores e dos ganhos sociais relacionados à menor poluição ambiental (que são ponderáveis, mesmo para uma variação de apenas 1 % na mistura, quando consideramos o volume global das emissões da frota brasileira como um todo).
E segundo, porque o uso do biodiesel, resultando em um combustível de melhor qualidade, traz inegáveis ganhos para o transportador. Basta dizer que já existem em nosso país número considerável de empresas de ônibus que estão utilizando, de moto próprio, misturas de biodiesel em percentuais bem acima de 25%, com resultados que pressionam para baixo os custos do transporte, em função dos ganhos em consumo específico de combustível, em menor consumo de óleo lubrificante (menor índice de contaminação), em menores custos com revisões dos motores (maior lubricidade da mistura, queima mais completa e menor deposição de resíduos da queima) e em créditos de carbono (em função da redução e da melhor qualidade das emissões), por exemplo.
 

POR FIM, ALGO DE BOM NAS HIDROVIAS.

 
No corrente mês, a ANUT viu coroados parte seus esforços ao ser concretizado mais um passo na direção do ordenamento das relações entre os entes públicos envolvidos na questão do uso múltiplo dos rios. No dia 12/06, a ANTAQ, que já havia criado, por sugestão da ANUT, Grupo Técnico de Assessoramento para tratar da matéria, e a Agência Nacional de Águas-ANA assinaram acordo de cooperação técnica para articular a execução de ações conjuntas relacionadas ao uso múltiplo das águas. O acordo terá vigência de cinco anos e visa promover intercâmbio de informações entre as duas agências, com integração de procedimentos para apoiar o planejamento do setor de recursos hídricos relativo à expansão e adequação da malha hidroviária nacional.
 

 
O presente INFORMATIVO é distribuído às Associadas da ANUT, empresários e executivos de alto nível, e entidades representativas de usuários e prestadores de serviços de transporte, além da Casa Civil da Presidência da República, Ministros de Estado, Governos Estaduais, Ministério Público do Trabalho, Agências Reguladoras com interveniência na matéria e à imprensa em geral.

 

 
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