Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga  
  
     
     
 

INFORMATIVO anut

  Ano 5 Nº 12 31/12/2007

Avaliação do Exercício de 2007  

 

OS DESAFIOS PARA 2008 

 
 O início de 2007 trouxe justas esperanças com a continuação dos trabalhos de elaboração do Plano Nacional de Logística e Transporte (PNLT) e o lançamento do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC 2007-2010).

O PNLT, abrangendo o período 2008 a 2023, foi objeto de crescente apoio do empresariado, porque passou a ser interpretado como uma tentativa séria de retomada do planejamento estratégico de longo prazo, agora com base em métodos científicos. Esperado para o primeiro trimestre de 2007, o plano, contudo, entrou em demorada fase de validação através de audiências públicas regionais, abrindo-se para o surgimentoicos. de dúvidas quanto às reais intenções dentro do próprio Ministério dos Transportes. Isso para não falar do mais elevado escalão governamental.

No que diz respeito ao PAC 2007-2010, apesar de duas avaliações otimistas trazidas a público pelo Governo, no 1º e 2º Balanços, respectivamente em maio e setembro, a realidade é que ele não deslanchou, trazendo a preocupação de que as metas estabelecidas para 2010 não serão atingidas porque 2007 foi um ano perdido.

Em que pese os tradicionais artifícios contábeis de fim de ano que certamente virão, os números já disponíveis referentes à execução orçamentária de 2007, servem como alerta de uma realidade preocupante, uma vez que o PAC representa o último reduto da esperança de que o Governo possa agir tempestivamente para tirar o empresariado brasileiro da verdadeira armadilha logística em que foi colocado, ou seja: ter que crescer para ganhar a escala exigida pela economia mundial, mas não poder transportar e exportar competitivamente a sua produção, em face da precariedade da infra-estrutura de transporte.

Em conseqüência do inaceitável desempenho do Governo na execução dos recursos consignados no Orçamento Geral da União, e alguns problemas de gestão e regulação, no ano que passou o PAC não trouxe grande mudança no quadro de precariedade da malha viária brasileira.

A pesquisa rodoviária 2007 da CNT revelou resultado praticamente semelhante ao da pesquisa 2006: 74% das rodovias sob administração federal apresentando problemas no pavimento, na sinalização ou na geometria da via. A única boa notícia foi a desoneração da concessão na licitação para o segundo lote de ferrovias, medida que todos esperam seja aplicada nos demais segmentos da infra-estrutura de transporte.

Nas ferrovias, o investimento governamental resumiu-se quase que exclusivamente à Ferrovia Norte-Sul; permaneceu a timidez da atuação da Agência Reguladora, facilitando o uso abusivo do poder de monopólio pelas concessionárias e permitindo a falta de transparência quanto aos preços praticados, aos custos incorridos e à realidade dos resultados econômicos que elas vêm obtendo. Persistiu também a falta de vontade política do Governo para erradicar os estrangulamentos físicos preexistentes à desestatização – passagens em nível, invasões de faixas de domínio e travessias de centros urbanos. De bom, o que ocorreu foi o início da reação espontânea dos usuários contra os abusos nas negociações de reajustamentos de tarifa, o que lhes possibilitou buscar o abrigo do sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC), por meio de representação à SDE.

Nas hidrovias, o Governo continuou a cometer erros históricos ao descartar a construção de eclusas nas licitações para as unidades hidrelétricas (UHE) de Estreito, Girau e Santo Antônio. Evidenciou-se também o descaso do setor elétrico com a obrigação de respeitar as condições de navegabilidade dos rios barrados, por ocasião do estabelecimento das restrições operacionais a serem observadas pelas UHE (níveis e vazões mínimas). E tornou-se cada vez mais visível a fragilidade do nosso modelo de administração das hidrovias, a começar pelo seu nivelamento por baixo, mantendo-as sob as ordens de Companhias Docas.

Nos portos ocorreram duas coisas boas: a criação da Secretaria Especial de Portos (SEP), em nível Ministerial, embora mutilada por uma repartição injustificável de poderes com o Ministério dos Transportes, que continuou responsável pelos portos fluviais não administrados pelas Companhias Docas; e a nova lei da dragagem que trouxe a acertada inovação da contratação de dragagens por resultados. Mas continuou a falta de coordenação entre os entes públicos intervenientes na atividade portuária, a indulgência do Governo com o uso abusivo do monopólio da mão-de-obra avulsa e a ausência de um sistema que garanta a criação de uma cadeia logística segura.

Temos sustentado com veemência que os recursos prometidos para o PAC no período 2007-2010, se acrescidos de algo como R$ 1,2 bilhões para erradicação dos principais estrangulamentos físicos preexistentes à desestatização, são suficientes para garantir a recuperação da malha viária existente e sua adequação ao aumento previsto para a demanda de transporte até 2010, sem elevação do custo logístico. Mas esse sonho está sendo colocado em grave risco pela crise de gestão por que passa a máquina pública. Tudo isso poderia ser evitado se implantado o CONIT (Conselho Nacional de Política de Transporte).

O desastre será fatal se o Governo Federal não conseguir produzir o “choque de gestão” que se faz necessário. Não é mais possível conviver com a ficção de autorizar somas apreciáveis de dinheiro nos orçamentos anuais sem o compromisso de efetivamente transformar esses recursos em obras prontas e acabadas dentro do espírito que criou o PAC a partir do PNLT.

Eis o grande desafio para 2008: recuperar o tempo perdido em 2007.
 

Às nossas associadas e a todas as entidades governamentais e não governamentais com que tivemos a honra de nos corresponder apresentamos os melhores votos de um 2008 pleno de felicidades e de realizações. 

 
 

 
     

 
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